O artigo de opinião de Joaquim Jorge aborda os riscos éticos associados à crescente autonomia dos sistemas de inteligência artificial. O autor questiona a narrativa que atribui agência própria às máquinas, alertando para o perigo de utilizar expressões como "a inteligência artificial decidiu". Segundo o autor, este tipo de linguagem serve para obscurecer a responsabilidade humana, criando um vazio de culpabilidade quando ocorrem erros ou danos. Ao tratar algoritmos como entidades capazes de sofrer ou de tomar decisões independentes, a sociedade corre o risco de ignorar quem está realmente por trás do funcionamento destas tecnologias. O texto sublinha a necessidade de manter o foco na supervisão humana e na prestação de contas, evitando que a tecnologia seja usada como um pretexto para evitar a responsabilidade por ações que, em última análise, são sempre geridas por pessoas ou organizações.
Source : Público
